Núcleo de Sociabilidade Libertária


  
 
prisão
 

 
A prisão é uma invenção moderna. Há uma tendência a naturalizá-la, como se ela sempre estivesse aí, inevitável, para sempre. Incontornável existência, sobretudo para aqueles que insistem em declarar sua falência imaginando uma nova reforma. Mas a prisão é mais que um prédio e um amontoado de gente pagando pena; ela é um princípio moral, imagem social do medo, a denominadora comum para liberdade. Para o entendimento comum, estar livre é não estar preso, nem ser escravo. Mas ela não pode ser vista apenas por sua existência negativa de lugar de degradados. Ao encerrar nas prisões, seletivamente, os considerados impossibilitados de convivência em sociedade, esta espera que os demais cidadãos, cumpram seus deveres, paguem seus impostos, acatem as leis e temam seus encerramentos nas prisões. Encarcera-se, enfim, uma parcela da população para manter o restante preso ao cumprimento de seus deveres de cidadão e sujeito de direitos, extraindo dessa relação lucros e imobilismo. Mesmo que continuem declarando a falência da prisão, e que hoje alguns até cogitem o seu fim, apenas a disposição em não mais encerrar pessoa alguma em suas dependências, sem fazer disso um novo momento para sua reforma ou flexibilização, é capaz de estancar o tipo de interação social baseado no regime dos castigos que a prisão compõe. A prisão não recupera e nem reintegra, como querem seus defensores, e não pode ser melhorada, como esperam os reformadores. Ela gera empregos úteis, garante a continuidade da servidão e dissemina o medo. Não há prisão sem tortura. O aprisionamento é a constatação explícita de uma cultura que não sabe lidar com as transgressões. Estamos todos presos!

Ver também: campo de concentração; controle eletrônico; pena de morte; sistema penal; tribunal.