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A cultura da punição está presente desde a tradição greco-romana vinculada a maneiras de educar e viver para a cidade, o senhor, o Estado. A punição está relacionada ao medo de cada um, seja do uso dos castigos corporais ou da ameaça da presença de fantasmas, deuses panteístas ou monoteístas vigiando as boas condutas. No mundo moderno a punição ampliou sua presença nas vidas das pessoas por meio das religiões para o sistema de prevenção geral que se instalou por meio da instituição da lei universal. O direito penal passou a criminalizar condutas e a designar para cada uma delas uma certa quantidade objetiva de penalização como morte, tempo de encarceramento, maneiras de cumprir sentenciamentos, acoplando boa conduta com redução da pena. O sistema de punições e recompensas habita a vida familiar, a escola, a fábrica, os escritórios, as instituições de produção de riqueza, poder, cura e a prisão. A tradição ocidental crê que por meio de punições se chega à felicidade, à boa vida da cidade, e se estabelece continuidades entre religiões, práticas impessoais da lei e razão universal modernas. A punição mesmo sendo um costume acaba sendo usualmente naturalizada ao percorrer a vida ameaçada de cada um do nascimento até a morte. O abolicionista penal abole a punição dentro de si; inventa um estilo salutar de vida.
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