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A noção de terrorismo deve ser entendida no plural. Terrorismos. Indica uma multiplicidade de acontecimentos que combinam de alguma maneira elementos presentes naquilo que se chama terrorismo violência ilegal visando objetivos políticos; ação cujo alvo são civis inocentes; influenciar comportamento pelo medo. Terrorismos podem ser contra o Estado, com um Estado, a partir do Estado. Nas múltiplas tentativas em diferenciá-lo da guerra, guerrilha ou crime, terrorismo é sempre uma conduta política visando resultado imediato. O terrorismo moderno partiu do Estado na Revolução Francesa, voltou-se contra o Estado no contexto pré-revolucionário da Rússia e rapidamente se inverteu com os bolchevistas no poder. Em meados do século 20, ganhou contornos nacionalistas a partir do exercício do terror por grupos que se opunham a um modelo de Estado nacional. No século 21, configura-se uma nova modalidade de terrorismo internacional, desterritorializado, não mais orientado pela oposição ao Estado nacional, mas ao modelo democrático-iluminista, afirmando um Estado fundamentalista islâmico universal. Os terrorismos não se esgotam nesse breve e incompleto mapeamento. Eles estão ligados inevitavelmente à existência do Estado – seja na sua negação, afirmação ou transformação. Terrorismos não cessam onde houver Estado.
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