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Termo volátil, com pretensões a ser elevado a estatuto de conceito. Seu uso articula saúde, propriedade, educação, segurança, vida e morte. Constitui-se, atualmente na sociedade de controle, em um produto-marketing, propriamente dito, ou em um recomendável aditivo agregador de valor a qualquer produto que pretenda atingir aceitação uniforme. Uma de suas procedências encontra-se no deslocamento do conceito de saúde, pela OMS no pós-II Guerra Mundial, quando deixou de ser apenas sinônimo de ausência de doença, para passar a ser entendido como presença constante de bem estar, coincidindo com o apogeu do Estado-Providência. Tratava-se, na ocasião, de investir no redimensionamento da prevenção geral, sob uma medicalização do controle, com a intenção de erradicar "experimentos monstruosos", como os vividos no nazismo, implementando uma ampliação no conceito de humanidade, associada pelo Direito contemporâneo com a introdução dos direitos difusos à "dignidade da pessoa humana", conforme terminologia utilizada na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Inaugurava-se, simultaneamente, a internacionalização do tribunal, na proporção em que se diluía o racismo de Estado no binômio tolerância-intolerância. Na década de 1980, com a emergência do Programa de Tolerância Zero, nos EUA, a qualidade de vida ganhou novas articulações preventivas e repressivas, ajustadas ao policiamento comunitário, e positivada por uma política de segurança, que passa a investir na criminalização de pequenos atos cotidianos como estratégia de impedir "grandes monstruosidades". Qualidade de vida: disputa pelo controle da segurança sobre a vida medicalizada, mortificação ou morte digna.
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