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Valor moral e conceito assimétrico proveniente da política moderna; naturalizador da condição hierárquica superior-inferior. Só o superior tolera, porque ele reitera a condição de fraco, inferior e obediente do outro. A tolerância na política moderna provocou embates, libertações, aprisionamentos e reacomodações da prevenção geral. Afirmou a liberdade de pensamento e não se apartou do tribunal; ao contrário, instaurou-se como um dos elementos fomentadores da razoabilidade do julgamento no direito penal moderno. Recriou neste campo discursivo a zona de domínio que alicerça a política do castigo contemporâneo vinculada à educação dirigida às crianças e aos jovens. Na década de 1990, a tolerância passou a ter estatuto de recomendação internacional, projetada como a ética do futuro. O programa de tolerância zero não é uma deformação histórica do exercício de tolerância, mas a fissura, a fratura exposta de uma cultura que investe no culto da tolerância.
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