Núcleo de Sociabilidade Libertária


  
 
seletividade
 

 
A vida moderna introduziu uma maneira sutil de separar com base nos direitos universais do homem e do cidadão. Chama-se seletividade. O termo já designa a superioridade e a tolerância de quem comanda com os de baixo. Ele expressa a inevitável série de ilegalismos que atravessam a produção da riqueza, da lei, da política. A seletividade é uma prática do direito penal reconhecida como falaciosa e injusta, mas que se reproduz por meio da disseminação na crença na necessidade de punir a todos. Se a lei e o sistema penal são incapazes de levarem isso adiante neste momento, sua utopia é a completa realização. É assim que se perpetuam seletividades, sob quaisquer regimes políticos. É assim que as seletividades atingem os de baixo que as reproduzem em suas vidas em função de um sentimento de superioridade e das possibilidades de ilegalismos. A utopia social dos dias de hoje é a de acabar com seletividades sociais por meio da definitiva inclusão de todos. Isso supõe obediência, identidade comunitária, dedicação ao Estado, crença na justiça. E aí recomeçam as seletividades e tolerâncias de superiores cujo ápice é governar a todos pelo amor à obediência. A seletividade é um dispositivo social e jurídico de reafirmação da punição intrínseco a sociedades desiguais, regimes políticos e justiças hierarquizadas.

Ver também: criminalização; periculosidade; polícia; punição; sistema penal; vulnerabilidade.