Núcleo de Sociabilidade Libertária


  
 
crime organizado
 

 
O uso corrente da expressão crime organizado remete a uma espécie de sociedade secreta nacional ou internacional capaz de abarcar e conectar as atividades consideradas criminosas como se fizessem parte de uma única empresa. Quando se observa com atenção as campanhas antidrogas, contra a pirataria e de repressão ao contrabando, além das ordinárias manchetes de jornais e televisões, nota-se a intenção em se fazer acreditar que essas atividades estariam articuladas a partir de um centro. Crime organizado é uma expressão-slogan interessada em disseminar o medo e favorecer o endurecimento das políticas de segurança. Opera pelo sensacionalismo, ignorando, propositalmente, que a existência de tais grupos ou facções alimentam, pela ilegalidade, a economia formal e criam um contingente controlável de pessoas que vivem no entra-e-sai das prisões mantendo relações de proximidade com as autoridades estatais. Grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), os mais citados no Brasil como exemplos de grandes cONGlomerados de "criminosos", são produtos diretos das proibições, das prisões e das políticas de combate ao crime. Foram formados e operam desde o sistema penitenciário e estabelecem vínculos externos em favelas e periferias. Nas prisões e nos territórios que governam, instituem governos – com leis, tribunais, polícia, acordos comerciais, execuções, assistencialismo –, pretendendo manter relações diplomáticas com o Estado. As organizações do crime organizado são empresas que operam no limiar entre a legalidade e a ilegalidade, expressando os efeitos das políticas de repressão. São um duplo necessário às políticas de segurança e da indústria do controle do crime.

Ver também: campo de concentração; comunidade; narcotráfico; proibicionismo; tortura.