hypomnemata 204 (agosto de 2018)

Boletim eletrônico mensal
do Nu-Sol – Núcleo de Sociabilidade Libertária
do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais da PUC-SP
no.204, agosto de 2018.

Tirem as mãos das lutas sociais.

A universidade está se tornando um campo habitado por polícias e policiais. Suas teses humanistas se abrem cada vez mais às neutralidades, com o intuito de construir a verdadeira Verdade. Encontram ressonâncias em prêmios e certificações, abrindo-se para a glorificação dos cães de guarda do saber. Em especial, apresentam suas pesquisas com base em documentação sigilosa obtida pelo acesso secreto ao confidencial.

Estão respaldadas em autoridades superiores que emitem consentimentos aos seus protegidos que se dedicam a manobrar acontecimentos a seu favor em nome da isenção ideológica.

Um caso recente nestes moldes é o da tese Em algum lugar das selvas amazônicas: as memórias dos guerrilheiros do Araguaia (1966-1974), publicada como Borboletas e lobisomens: vidas, sonhos e mortes dos guerrilheiros do Araguaia, Ed. Francisco Alves, 2018, e continuação da dissertação de mestrado O imaginário dos militares na guerrilha do Araguaia (1972-1974), publicada como A lei da selva: estratégias, imaginário e discurso dos militares sobre a guerrilha do Araguaia, Geração Editorial, 2006.

A autoria é de ex-aluno do Colégio Militar, filho de militar e historiador diplomado que declara que o livro “desagrada aos dois lados, pois busco escrever história, ainda que para tal precise revelar segredos incômodos”.

O argumento insidioso dá continuidade à tentativa de nivelar confrontos assimétricos e escamoteia o uso do aparato de tortura do Estado, ou seja, procura lamber, limpar e lustrar o sangue das botas.

Tal tese pretende igualar a atividade de pesquisa ao procedimento jurídico-político que instituiu, sob o controle dos militares, uma lei de anistia que até então encontrava como ponto crítico a própria universidade.

A produção convencional do conhecimento universitário também está fundamentada no inquérito. Enquanto o jurídico penal não admite a omissão da prova, a lavagem universitária não dá mais a menor bola para a evidência histórica, em nome do aplainamento que fundamenta a tentativa de consolidação do atual discurso de direita no Brasil.

E assim se apresenta democrática, verdadeira, pautada em direitos humanos e anti-extremista. Mas o léxico escancara quem eles são. Usam e abusam de expressões como “delatores”, “traidores”, “algozes”, “informantes”, “jovens inocentes recrutados pelo partido”, “deixar os recrutados à própria sorte”, “criminosos” etc e tal, acrescentando que as mulheres servem ao sexo dos machos, sejam eles guerrilheiros ou militares, e que elas são as fracas pois delatam os companheiros e se apaixonam pelos algozes.

Não à toa, o alvo primordial da pena deste escritor é uma militante íntegra chamada Criméia Alice Schmidt de Almeida.

Este esforço revisionista de narrativas imaginárias pretende consagrar que todos estamos consensualmente acolhidos pela democracia e protegidos pelos diretos humanos.

Todavia, as violências do Estado prosseguem com velhos e novos alvos a serem extirpados a qualquer custo, até que em um futuro próximo outros faxineiros façam a suposta limpeza do serviço sujo.

Jamais os fascistas se declararam inimigos da democracia, mas dela se servem para disseminar a vontade de extermínio, seus preconceitos mesquinhos e covardias inconfessáveis.

Diante dos ardilosos argumentos desta pesquisa, não se deve vacilar na defesa das práticas de liberdade e nem deixar que a história seja recontada por aqueles que se arvoram defensores da pátria.

A história está no ronco surdo das batalhas e não em segredos burocráticos de seus supostos vencedores orientando seus subalternos sentinelas.

observatório ecopolítica 37
http://www.pucsp.br/ecopolitica/observatorio-ecopolitica/n37.html

de agosto a novembro
68. Invenções e resistências
mesas redondas, filmes, aula-teatro

20 de agosto, Auditório 100 PUC-SP
MULHERES
margareth rago , beatriz carneiro e lucia soares

27 de agosto, Auditório 100, PUC-SP
68: O QUE MUDOU?
nilo batista, vera malaguti batista e acácio augusto

verve 33 eletrônica
josé maria carvalho ferreira, paul goodman, tomás ibáñez,
salete oliveira, edson passetti, acácio augusto,
vitor osório, gustavo simões
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