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federação anarquista
f e d e r a ç ã o a n a r q
u i s t a
em agosto de 2000, em são paulo, depois de
sugestão de roberto freire e do coletivo brancaleone, o
nu-sol (núcleo de sociabilidade libertária) em companhia do
coletivo libertárias, convidou os anarquistas para conversas prévias
sobre a possibilidade de apresentar uma proposta de federação no
“encontro internacional de cultura libertária”, que aconteceria na primeira
semana de setembro, na universidade federal de santa catarina, em florianópolis,
por iniciativa do n.a.t. (núcleo de alfabetização técnica).
a proposta de uma federação anarquista no
brasil, sem delimitações territoriais e disposta a relacionar-se com outras
associações em diversos espaços do planeta, foi recusada em função de outra
posição defensora da criação de federações locais, como meio para se atingir, no
futuro, uma federação nacional.
a federação descentralizada é uma prática
anarquista histórica, também no brasil. reativá-la é expressar a força do
movimento, a pertinência das lutas, a coragem de enfrentar um mundo domesticado
por conservadores, democratas juramentados e socialistas autoritários. o
nu-sol saúda os anarquistas federados.
durante o encontro de 2000, o nu-sol
convenceu-se de que suas práticas podem acontecer vinculadas ou não a uma
federação, por realizar um anarquismo próprio e heterotópico, dissolvendo as
distinções entre público e privado, atuando nas relações de trabalho e
políticas, sem temer o idealismo das forças consideradas boas, progressistas e
até revolucionárias, para afirmar e defender, corajosamente, maneiras de dar
formas à liberdade, e de combater centralidades, repressões e sujeições.
o nu-sol não disputa e nunca
disputou adjetivações e lugares para as práticas anarquistas porque as realiza
como sociais no trabalho, na universidade, na rua, na televisão, no teatro, na
internet, no sexo, na amizade com outras associações, com parceiros
interessados, com adversários e livrando-se de inimigos.
as lutas dos anarquistas são invenções que
acontecem na vida de cada um e se fazem afastadas das classificações, dos
reformadores da sociedade, dos verdadeiros intérpretes das sagradas escrituras
dos santos do anarquismo e das suas sentinelas.
hoje, quando se propõe uma federação anarquista
em são paulo, o nu-sol espera que ela potencialize as anarquias e
as lutas por liberdade, sem aderir a coalizões com forças inimigas travestidas
de parceiras ou de emissárias de afinidades.
cada um faz anarquia à sua maneira; não julga para fazer existir.
saúde e anarquia nu-sol
/ março de 2008 |
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